O título desta pastoral é colocado de propósito, na esperança de resgatar em nós esse fato, pois, com o avanço da ciência e a velocidade com que a tecnologia tem influenciado nosso viver, há uma tendência perigosa de esquecermos que o Senhor permanece o mesmo em poder, majestade e glória (Sl 96.6; Hb 13.8), e não trabalha com o nosso tempo, mas com o d’Ele para cumprir os seus propósitos (II Pe 3.8).
Com essas considerações iniciais, esperando que os irmãos sejam edificados, compartilho algumas lições aprendidas com meu afastamento ministerial em 2025, em função de meu adoecimento, como já relatado nas minhas duas últimas pastorais. Sei que o que vou dizer não será novidade para muitos, pois podem já ter vivenciado algumas dessas lições e crescido espiritualmente com elas.
I - Como é difícil se livrar do sentimento de culpa!
Essa foi talvez uma das primeiras constatações que fiz; porém, foi uma das últimas vitórias conquistadas.
Tive que administrar o sentimento de culpa por não ter conseguido gerenciar minhas emoções ao longo dos anos, pelas dores causadas a meus familiares, pelo distanciamento da família da fé — uma vez que não consigo viver sem a comunhão dos meus irmãos — e eles estavam no front, lutando, enquanto eu estava inoperante, sustentado pela igreja por não ter outra fonte de renda.
No entanto, é preciso separar a culpa do sentimento de culpa. Primeiro, porque a culpa é objetiva, ela é inerente à natureza humana. Nós a carregamos o tempo todo e ela é fruto do pecado que gerou nossa natureza carnal (Tg 2.10).Louvado seja o Senhor Jesus, que, por Sua graça não a deixa explodir o tempo todo; senão seríamos como cadáveres ambulantes, fulminados por ela (Rm 6.23).
A segunda razão é que o sentimento de culpa é subjetivo e, geralmente, pensa-se que pode ser tratado por métodos paliativos como terapias, viagens e outras atividades para aliviar o estresse provocado por ele.
A Sagrada Escritura é clara quanto a esse tema. Tratar o efeito não resolve; é preciso resolver a causa (Rm 5.17-19) e somente Cristo Jesus pode arrancar o ferrão da culpa e seu sentimento destrutivo. Nesse contexto, Paulo afirma: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento” (II Co 2.14).Sua palavra significa que nosso triunfo espiritual (objetivo) ou emocional (subjetivo) vem através de Cristo Jesus. N’Ele, há cura e redenção para toda culpa e para o sentimento decorrente dela.
O papel da família, amigos e irmãos de fé é orar, ter paciência e amar intensamente quem vive sob o tacão da culpa.
II - Reconhecer o pecado quando ele for a causa direta do adoecimento
Na cosmovisão cristã reformada, a partir da queda de Adão, o pecado reinou até a vinda de Jesus e ele é a causa dos males que acometem a humanidade, contando com a participação humana.
Hoje ainda estamos sob a influência do pecado e há enfermidades que podem ser causadas diretamente por um que cometemos. Por exemplo, a ansiedade. Ela é pecado sim. Por mais que se queira tratá-la como causa emocional, a Bíblia diz claramente que ela é transgressão, Jesus disse, “Não andeis ansiosos pela vossa vida” (Mt 6.25).
Outro pecado resultante da ansiedade é a falta de fé no cuidado de Deus (Hb 13.5), duvidando do poder que Ele tem de cuidar de nós. Destarte, é necessária uma análise profunda para descobrir se foi um pecado que causou a enfermidade, arrepender-se, pedir perdão ao Senhor ou à pessoa, caso haja alguma vítima do erro.
Nesse processo, o caminho da restauração exige três passos fundamentais: o arrependimento sincero pela falta de confiança, o pedido de perdão ao Senhor e, se o nosso erro tiver atingido outras pessoas, a reparação direta com quem foi prejudicado.
Um dos maiores exemplos bíblicos que temos de adoecimento por um pecado direto é Davi, ao mandar matar Urias depois de violentar Bate-Seba, sua esposa, para ocultar a gravidez dela de um filho que seria seu (Sl 38).
Meu adoecimento não foi em função de um pecado específico, mas, uma vez com a saúde restaurada, analisando o que aconteceu, acredito que ele foi provocado por mais de um pecado: ansiedade, orgulho por imaginar que a humildade em mim estava em um nível satisfatório e substituição de Deus pelo ministério em primeiro lugar.
III - Atenção especial aos cuidadores
É natural que a atenção e os cuidados da família se voltem para o enfermo. No entanto, com o passar dos dias, os cuidadores também precisam receber cuidados, sejam eles de forma espiritual, emocional e até física, uma vez que enfermidades prolongadas resultam em mais doentes na família.
Eu me afligia em ver a Sandra, minha esposa, sofrendo emocionalmente e tentando disfarçar que estava bem. Em minhas orações, pedia a Deus que me restaurasse o mais rápido possível, antes que ela tivesse sua saúde ainda mais prejudicada.
Agradeço a Deus porque tanto a IPC quanto outras igrejas e meus familiares intercederam pela minha família, dando-lhe apoio, em especial à Sandra.
Pela misericórdia do Senhor, estamos sendo restaurados com paciência, unidade, amor familiar e muita alegria na comunhão da igreja do Senhor Jesus.
Pr. Paulo Cesar da Silva
55 31 3825-1644
secretaria@ipbcariru.com.br