“Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer.” (Lucas 18.1)
Publicado em 23/01/2026
QUANDO O DESÂNIMO E O PÂNICO BATEM À PORTA
“Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer.” (Lucas 18.1)
A vida com Cristo não nos isenta de desertos emocionais. Não são raros os momentos em que o desânimo se aproxima silenciosamente, agindo nas sombras do silêncio e o cansaço da alma sussurra mais alto que a nossa esperança. Às vezes, ele nasce de frustrações, de orações que parecem não ser respondidas,de lutas prolongadas, de notícias que nos ferem. Assim como os discípulos, nós também corremos o risco de esmorecer quando não entendemos o que Deus está fazendo em nossas vidas.
Por isso, Jesus contou a Parábola da viúva e do juiz iníquo. A viúva era frágil, sem influência e sem recursos, mas possuía algo poderoso: perseverança. Dia após dia, ela batia à porta daquele juiz injusto, insistindo em sua causa. Humanamente, tudo conspirava contra aquela mulher, contudo, ela se recusou a entregar-se ao desânimo. Finalmente, o juiz atendeu ao seu pedido, não por piedade, mas para livrarse de sua insistência.
Jesus, então, nos conduz a uma reflexão profunda: se até um juiz injusto reage à perseverança, quanto mais o Pai, justo e amoroso, ouvirá os clamores de seus filhos! Desse modo, o Senhor não promete ausência de lutas, mas garante que nenhuma oração perseverante é em vão. Quando não vemos respostas imediatas, não significa que Deus esteja indiferente; significa, antes, que Ele está trabalhando em um tempo e de um modo que muitas vezes não compreendemos.
Assim, quando o desânimo chegar, em vez de nos afastarmos de Deus, somos chamados a correr para Ele. Podemos abrir o coração, confessar nossas dúvidas e dores, e, ao mesmo tempo, nos apegar às promessas de Sua fidelidade. A perseverança na oração não é um ritual vazio; é expressão de confiança em um Deus que não falha. Portanto, não permita que esse mal governe sua mente e seu coração. Continue orando, mesmo que as circunstâncias pareçam contrárias. O Pai, que vê em secreto, no tempo oportuno, fará justiça e renovará suas forças, para que você prossiga firme na caminhada da fé.
Essa dor,no entanto, atinge um estágio mais agudo quando o desânimo, mergulhado em tristeza, deixa de ser apenas uma simples falta de força e se torna algo mais profundo, um medo paralisante. É o momento em que o cansaço dá lugar ao sobressalto, e a alma, já exausta, é invadida por um pavor que rouba o fôlego. O salmista Davi descreveu com precisão esse limite em que o desânimo se transforma em pânico.
“Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me assaltam. Temor e tremor me sobrevêm, e o horror se apodera de mim.” (Salmos 55.4-5)
Ao lermos o Salmo 55, percebemos que Davi não está apenas triste ou preocupado; ele está em pânico. Seu coração dispara, o corpo treme, o peito dói e o medo de morrer o envolve. Assim, vemos que a Bíblia não romantiza as emoções humanas, antes as descreve com realismo, mostrando que até os servos de Deus podem atravessar momentos de profunda angústia emocional e física.
Entretanto, à medida que caminhamos pelo Salmo, notamos que Davi não nega o que sente, nem finge que está tudo bem. Pelo contrário, ele descreve seus sintomas, reconhece o seu medo e, ao mesmo tempo, escolhe derramar o coração diante do Senhor. Dessa forma, aprendemos que o primeiro passo, quando o pânico nos assalta, não é fugir, mas levar tudo a Deus com sinceridade.
Além disso, o texto nos lembra que o pânico não é sinal de falta de fé, mas a ocasião exata em que ela é chamada a agir. O corpo reage com descargas de adrenalina, o coração dispara, os pensamentos parecem descontrolados; porém, nesse caos interior, somos convidados a crer que Deus continua presente, mesmo quando não sentimos paz. Logo, a fé não nega os sintomas, mas os atravessa com confiança no cuidado do Senhor.
Aplicando essa verdade à nossa realidade, compreendemos que enfrentar o pânico pode envolver oração, apoio da igreja, boa informação, acompanhamento médico e terapia responsável. Não é espiritualidade negar os recursos que Deus nos concede. Assim, quando o medo parecer maior do que você, lembre-se: Davi também tremia, mas encontrou, em Deus, refúgio para a alma. O pânico pode ser real, porém não precisa definir a sua história.
Rev. Jecimar Sirino Albano
Pastor Presbiteriano e Psicólogo
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