O VELHO SE FEZ NOVO

“...Não está escrito?...”
Publicado em 31/01/2026

O VELHO SE FEZ NOVO

“...Não está escrito?...”

Com esse questionamento, Jesus frequentemente iniciava Seus ensinamentos. Essa era uma das fórmulas de linguagem fundamentais que o Mestre utilizava para se referir e validar o Antigo Testamento em Seus ensinos, afirmando que a Antiga Aliança era a sombra de uma realidade que iria se cumprir.

Os sacrifícios rituais, feitos com animais, serviam como tipos — sombras proféticas — do sacrifício perfeito que removeria os pecados do povo de Deus para sempre. As profecias anunciadas pelos profetas da Antiga Aliança teriam seus cumprimentos de modo fiel n'Aquele que haveria de ser o Grande Profeta, prometido por Deus para esmagar a cabeça da serpente, no chamado protoevangelho (Gn 3.15). Ele não cumpriu as promessas mediante os ritos da Antiga Aliança, que eram sombras do que havia de vir, mas as cumpriu e consumou plenamente na Nova Aliança, estabelecida em Seu próprio sangue (Mt 26.28).

Ao levar Seus ouvintes ao Antigo Testamento, Jesus queria mostrar pelo menos duas verdades: primeiro, Ele era o cumprimento das profecias, revelações, símbolos e da lei (Mt 21.42; Lc 24.25-27; Jo 6.45). Em seguida, a cegueira e a dureza do coração das pessoas as impediam de crer em Jesus como sendo o Filho de Deus, o Messias e Ungido do Senhor, prometido nos textos da Antiga Aliança e, por não crerem, seriam condenados, uma vez que se tornaram indesculpáveis e não se arrependeram de seus pecados (Mt 23.33; Mc 10.33; Lc 7.33-34; Jo 8.28-59).


Hoje, iniciamos nossas atividades da EBD 2026, com um novo currículo visando estudar, de forma panorâmica e não exaustiva, o Antigo Testamento, com o propósito de responder objetivamente à pergunta: “Qual a importância do Antigo Testamento para os nossos dias?” Teremos a oportunidade de ter respostas mais detalhadas durante o curso, mas nesta pastoral, desejo dar rápidas pinceladas para ajudar os irmãos a compreender o quão ele é importante, a ficar com um gostinho saboroso de “quero mais” e serem motivados a participar das aulas e convidar familiares e amigos para o curso.


O ANTIGO TESTAMENTO COMO FUNDAMENTO

O fundamento da nossa fé não se inicia no Novo Testamento, e sim no Antigo, pois sem ele a nossa fé cristã não tem base sólida, fica no vácuo, posto que a história da nossa salvação tem início em Gênesis 3.15, mostrando que Cristo é a promessa como o descendente da mulher que traria salvação. No entanto, quando lemos Gênesis 1.1-31, Ele está presente não como promessa, mas sendo o Deus Filho criando todas as coisas, inclusive o homem e a mulher (Gn 1.26).

Na ausência do primeiro capítulo de Gênesis, desconheceríamos a origem do universo e a nossa própria criação; estaríamos sendo levados por ventos de doutrinas e vãs filosofias, sem saber respostas para as indagações que ecoam há milênios: Quem sou? De onde vim? para onde vou? As respostas para esses questionamentos humanos não residem apenas no relato da criação, mas na Pessoa que sustenta toda a história.

Essa relação entre promessa e realidade já foi percebida de forma muito clara pelos reformadores. Calvino disse que “o Antigo Testamento é a sombra, mas não sem substância; é a promessa, mas não sem realidade”. Essa afirmação nos ajuda a compreender que Cristo é a substância e a realidade presentes no Antigo Testamento.

Essa presença de Cristo se revela em todos os escritos. Os profetas anunciaram a vinda e a salvação messiânica (Is 53); o livro de Salmos, com poesia e parábolas, anunciou a vinda do Filho de Deus ao mundo (Sl 2; 8; 16; 22; 40; 72; 110; 118). Por essa razão, como bem afirmou o comentarista Hendriksen: “O Antigo Testamento é indispensável para compreender o Novo; sem ele, o Evangelho seria como uma casa sem alicerces”.


O ANTIGO TESTAMENTO FOI CUMPRIDO EM CRISTO

Você sabia que nós somos salvos pela lei? Assustador, não é? Heresia? Não! Somos salvos sim, pela lei, a lei cumprida na pessoa de Jesus Cristo (Mt 5.17). Fomos salvos graciosamente por Ele ter cumprido a lei. Essa compreensão nos ajuda a ver a relação entre as duas alianças. O Novo Testamento não anula o Antigo; antes, ele é a progressão dando transformações e implementando a Nova Aliança. Por exemplo, no Antigo, temos sacrifícios de animais; no Novo, temos o sacrifício perfeito: Cristo.

Essa unidade entre o Antigo e o Novo foi resumida pelo pregador Spurgeon ao dizer que “O Novo Testamento está escondido no Antigo; e o Antigo, revelado no Novo”.


RELEVÂNCIA DO ANTIGO TESTAMENTO PARA HOJE

Além dos fatos mostrados anteriormente, podemos ainda destacar outros para despertar nosso interesse pelo curso. Os princípios de Deus são eternos — justiça, misericórdia, fidelidade —, e as exigências que Ele requer no Antigo Testamento são as mesmas no Novo Testamento. Não se trata, portanto, de um livro ultrapassado. A sabedoria prática do Antigo é útil para hoje, e essa é uma das razões pelas quais esses livros sagrados fazem parte do Cânon.

Nossa identidade espiritual está no Antigo Testamento, sendo ele a raiz da nossa fé cristã. Por meio dele, sabemos que somos seres espirituais (Gn 1.26).

Nossa esperança é fundamentada nele. Quando vemos, no Velho Testamento, a fidelidade de Deus cumprindo Suas promessas, temos a esperança de que todas as promessas do Senhor sobre nós se cumprirão. É nesse contexto que o erudito Wiersbe diz: “O Antigo Testamento mostra como Deus trabalhou no passado, para confiarmos n'Ele no presente”.


CONCLUSÃO

O Antigo Testamento é essencial para compreendermos o Novo Testamento. O velho se torna novo em Cristo: nova vida, somos um novo povo, temos um novo destino eterno. Nesse sentido, Herman Bavinck afirmou que “a revelação é uma só, mas progride; o Antigo é o caminho, o Novo é a chegada”.

Encorajo você a orar por toda a equipe de professores e alunos da EBD, a participar com disposição mental para angariar conhecimento e coração aberto para ouvir Deus falando e transformando vidas.

IPC, uma família que adora a Cristo, celebra a amizade e serve ao Reino de Deus.

Pr. Paulo Cesar da Silva

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