O LIVRO DE GÊNESIS
Publicado em 06/02/2026
“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.” (João 5.39)
Ao proferir essa advertência em repreensão aos fariseus, Jesus fazia menção explícita à Escritura Sagrada, especificamente ao Cânon que hoje denominamos Antigo Testamento. Conforme o ensino de Cristo, permanece o dever da Igreja de, em todos os tempos, dedicar-se à sua leitura e compreensão. É nele que encontramos as primeiras promessas do Evangelho, os rituais e tipos que são sombras do Salvador e que nos conduzem aos primeiros movimentos do pacto da Graça, plenamente revelado em Cristo.
A IPC, por meio do seu Ministério de Educação Cristã do Departamento de Adultos, decidiu trabalhar a partir de uma visão panorâmica do Antigo Testamento, frequentemente negligenciado por muitos cristãos — o que constitui um grande equívoco. Afinal, ele é o fundamento sobre o qual todo o Novo Testamento está assentado. A história da redenção, narrada nas Escrituras, não tem início na manjedoura nem na cruz do Calvário, mas séculos antes, em um jardim, logo após a queda do homem (Gn 3.15).
Neste módulo do estudo, intitulado “Eis que o velho se fez novo”, percorreremos as páginas do Antigo Testamento não de forma exaustiva, mas suficiente para encontrarmos Cristo em cada livro.
Com o propósito de edificar a igreja e facilitar a compreensão das Escrituras, nossas pastorais apresentarão resumos concisos de cada livro do Antigo Testamento. Nosso desejo é que esse conteúdo gere ensino sólido e práticas cristãs, conectando a sabedoria milenar aos dilemas da nossa atualidade.
Iniciaremos com o Pentateuco, conjunto formado pelos primeiros livros da Bíblia:
O livro de Gênesis, cujo nome em hebraico é Bereshit (“No princípio”), é a porta de entrada das Escrituras. Escrito por Moisés, apresenta os alicerces da fé: a origem do mundo, da humanidade, do pecado e da promessa de redenção. É um livro de começos, mas também de promessas.
Dividido em duas partes principais, Gênesis 1 a 11 narra a história da humanidade em termos universais, enquanto os capítulos 12 a 50 concentram-se na história patriarcal, com foco na família de Abraão, o homem escolhido por Deus para dar origem ao Seu povo (Gn 12).
Nos dois primeiros capítulos, encontramos o majestoso relato da criação: Deus cria todas as coisas do nada, unicamente por meio de Sua palavra. O homem e a mulher são feitos à Sua imagem e colocados no Éden para o cultivar e guardar. Contudo, no capítulo 3, ocorre a queda. Adão e Eva desobedecem a Deus, trazendo o pecado e a morte ao mundo.
Desde então, a humanidade mergulhou em um ciclo de corrupção que se estendeu do crime de Caim ao dilúvio nos dias de Noé, culminando na soberba da Torre de Babel. Ainda assim, Deus não abandona Seu propósito. Ao preservar uma linhagem, Deus escolhe Abraão no capítulo 12 e sela com ele uma aliança: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3).
Os capítulos seguintes acompanham o desenvolvimento dessa promessa. Abraão, Isaque, Jacó e seus doze filhos, especialmente José, revelam como Deus age por meio de pessoas comuns, marcadas por virtudes e falhas. A história de José, vendido pelos irmãos e, posteriormente, exaltado no Egito, encerra o livro com a memorável declaração: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem [...]” (Gn 50.20).
Gênesis é mais do que um livro de origens. Nele, percebemos a presença de Cristo em sombras e tipos: na primeira promessa messiânica (Gn 3.15),que aponta para Aquele que esmagaria a cabeça da serpente; no descendente de Abraão (Gl 3.16); no novo Adão (Rm 5.14), no Cordeiro substituto em lugar de Isaque (Gn 22); e no verdadeiro José, exaltado após o sofrimento.
Concluímos com uma aplicação pastoral: Gênesis nos lembra que nossa história começa em Deus. Fomos criados com propósito, mas caímos. Ainda assim, a promessa de redenção atravessa as gerações. Mesmo nos capítulos mais sombrios, a graça de Deus se manifesta. E assim como usou Abraão, Sara, Jacó, José e tantos outros — pessoas falhas — Ele pode usar a mim e a você.
Eis que o velho se fez novo em Cristo Jesus!
Pr.Paulo Cesar da Silva
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